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Protagonista LGBTQIA+ em ambiente hétero, Pedro Sampaio diz que inserir cultura queer no funk é natural: 'Realidade onde estou'

Pedro Sampaio fala com o g1 sobre influências LGBTQIA+ na carreira 🌊 "Em cima do jetski [...]". Se você curtiu o carnaval deste ano, com certeza ouviu esse...

Protagonista LGBTQIA+ em ambiente hétero, Pedro Sampaio diz que inserir cultura queer no funk é natural: 'Realidade onde estou'
Protagonista LGBTQIA+ em ambiente hétero, Pedro Sampaio diz que inserir cultura queer no funk é natural: 'Realidade onde estou' (Foto: Reprodução)

Pedro Sampaio fala com o g1 sobre influências LGBTQIA+ na carreira 🌊 "Em cima do jetski [...]". Se você curtiu o carnaval deste ano, com certeza ouviu esse trecho do sucesso de Pedro Sampaio com Melody. E, na verdade, esse é só mais um hit de uma discografia recheada de canções "chicletes", que não só grudam, como demoram para sair da cabeça. É por meio de uma produção que começa nas mesas de som e, posteriormente, com o uso de vocais próprios confortáveis e com bastante autotune, que Pedro constrói uma carreira de sucesso. O DJ começou em abril a turnê internacional "Brazilian Chaos", que tem datas programadas em países da Europa e nos Estados Unidos. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp O artista se apresentou na Feira e Exposição Agropecuária (Feap) de Paranapanema (SP), na madrugada de terça-feira (21). O evento, realizado entre os dias 17 e 21 de abril, contou com diversas outras atrações musicais, como as dupla sertanejas Zé Neto e Cristiano e Chitãozinho e Xororó. O g1 conversou com Pedro Sampaio momentos antes de o DJ subir no palco da festa. Assumidamente bissexual desde 2023, após uma declaração no Lollapalooza Brasil, ele tem colocado cada vez mais elementos da cultura LGBTQIA+ em seus trabalhos, como o trabalho em conjunto com Isma e Vita - as ex-Irmãs de Pau - no sucesso "Sequência Cunt". Assista à entrevista completa no vídeo acima. Pedro Sampaio pretende lançar álbum em espanhol Steff Lima O cantor de "Escada do Prédio", sucesso com Marina Sena, diz que as escolhas queer no mundo funk, geralmente consumido por heterossexuais, não são estrategicamente planejadas. No caso dele, a arte é descrita como "um reflexo das vivências do artista". 🔎 Queer é uma palavra usada para representar as pessoas que não se identificam com as normas de gênero impostas pela sociedade e transitam entre elas, sem concordar com rótulos ou que não querem definir seu gênero/orientação sexual. "Acredito que a arte é um reflexo muito do que você está vivendo. Eu só faço o que dá no meu coração, é um processo muito natural. É a realidade onde estou inserido", pontua. LEIA MAIS: Pedro Sampaio se declara bissexual em show no Lollapalooza e diz que boatos o fizeram 'amadurecer' Pedro Sampaio recebe Pabllo, se declara bissexual e faz show pronto para postar no Lollapalooza Pedro também destaca a equipe de bailarinos com frequência durante as apresentações. Em parte delas, eles utilizam elementos da cultura ballroom, desenvolvida pela comunidade LGBTQIA+ nos subúrbios estadunidenses no século passado. Ao g1, o artista afirmou que também utiliza, de forma despretensiosa, sua facilidade em transitar por diferentes gêneros musicais e espaços para compartilhar o que gosta, de maneira natural. "É o local onde estou inserido. Eu levo isso nas minhas músicas. Eu sou um artista que circula muito bem em todos os lugares, então, acabo que levando isso comigo também. É uma coisa bem natural e é o que me faz feliz. Eu acho que o público que me acompanha também sente isso", opina. Pedro se apresentou na Feap, em Paranapanema (SP) Diogo Del Cistia/g1 Planos internacionais? Junto à turnê fora do Brasil, o artista revelou que está nos preparativos para o lançamento do próximo álbum de estúdio. O trabalho é o primeiro desde "Sequências #1", coletânea lançada em novembro de 2025 que reúne diversos singles a partir de 2023. Desta vez, Pedro aposta em um caminho fora do território nacional. Para o próximo disco, o espanhol será o idioma predominante e, segundo ele, a escolha se deve ao fato de o país viver um momento positivo aos olhos de quem está fora. "Eu acho que o momento do Brasil é um momento muito bom. Acho que sou um dos artistas que está nessa 'ponta' de poder fazer a ponte entre outros países. O espanhol é falado pelos nossos vizinhos, somos todos latinos", comenta. Pedro tem utilizado referências LGBTQIA+ nas músicas Steff Lima O DJ conta ainda que misturar culturas também é um dos atributos utilizados por ele como produtor musical. Como uma prévia, Pedro diz que o novo disco pretende "navegar" por diversos gêneros musicais, não só o funk - que é a especialidade dele. "É o reggaeton, o funk, os ritmos latinos. Também acho que é um momento muito importante de mostrarmos a cultura brasileira, não só falando português. O espanhol também, nos ritmos, nas batidas. Muitas pessoas estão procurando o funk e me procurando", revela. Visando a expandir e descobrir novos horizontes, o cantor também aposta e sonha com novas parcerias. Uma delas foi realizada no ano passado, com J Balvin, no lançamento de "Perversa". "Colaborar com o Balvin foi um sonho que virou realidade para mim. Mas eu ainda tenho muita vontade de colaborar com o David Guetta e com o Ozuna. Existe uma infinidade de artistas", finaliza. Show lotado e plateia animada O show em Paranapanema começou por volta das 3h30, uma hora e meia depois do horário previsto. Foi a primeira vez que Pedro se apresentou na região e, de acordo com ele, o resultado foi positivo. O artista foi a atração principal da noite e cantou logo após a dupla sertaneja Ícaro e Gilmar. Pouco tempo antes, Charles e Mancini também se apresentaram no mesmo palco, com músicas autorais e covers de grandes hits do gênero nas décadas de 1990 e 2000. O ambiente "agro" não foi uma barreira para Pedro Sampaio. Mesmo sendo um DJ majoritariamente voltado ao funk e à música eletrônica, os chapéus de peão e as fivelas se tornaram só mais um acessório de dança para a setlist cheia de hits. Hits, esses, que vão além da carreira do artista: "Sequência Feiticeira", "Pocpoc" e, claro, "Jetski" fizeram parte do espetáculo. Mas remixes de músicas conhecidas país afora também foram lembradas, como "We Found Love", de Rihanna, e "O Baile Todo", do Bonde do Tigrão. "É a primeira vez que eu venho para Paranapanema. E pode ter certeza que eu vou voltar aqui muito mais vezes", disse à plateia. Festa contou com arquibancada para 4 mil pessoas Costinha na Balada/Divulgação Movimento econômico e turístico O prefeito de Paranapanema, Oséias Rosa Júnior (PSD), aponta que a Feap é um importante evento para movimentar a economia da região. A cidade, que possui cerca de 20 mil habitantes, investiu R$ 5,7 milhões na terceira edição do evento. "Conseguimos aumentar a capacidade da arquibancada de 1,5 mil para 4 mil pessoas neste ano. A Feap ajuda muito no desenvolvimento econômico. Todos os hotéis da cidade estão esgotados, o restaurante ganha, o açougue ganha. Tem pessoas alugando casas para interessados de diversos pontos do país", conta. Prefeito de Paranapanema, Oséias Rosa Júnior (PSD) Reprodução/g1 A gestão municipal foi alvo de críticas nas redes sociais recentemente devido ao valor investido na feira. Os moradores apontaram que o orçamento é consideravelmente maior do que o investido no setor de saúde durante todo o ano. Ao g1, Oséias afirma que todo o dinheiro da festa veio de recursos fornecidos para o turismo da cidade, previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA). O chefe do Executivo rebate, alegando que isso seria numericamente impossível. "O orçamento anual da cidade é de R$ 204 milhões e o hospital que está sendo feito custou R$ 30 milhões. Então, é impossível que o investimento feito na festa seja maior que o da saúde. As pessoas acabam confundindo. Todo o recurso usado para a festa é o que vem para a área do turismo", alega. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM