cover
Tocando Agora:

Mortes no trânsito da cidade de SP aumentam, e motociclistas são quase metade das vítimas

Mortes de motociclistas disparam 74% na capital em 10 anos O número de mortes no trânsito aumentou na cidade de São Paulo em 2026, com motociclistas entre as...

Mortes no trânsito da cidade de SP aumentam, e motociclistas são quase metade das vítimas
Mortes no trânsito da cidade de SP aumentam, e motociclistas são quase metade das vítimas (Foto: Reprodução)

Mortes de motociclistas disparam 74% na capital em 10 anos O número de mortes no trânsito aumentou na cidade de São Paulo em 2026, com motociclistas entre as principais vítimas. Entre janeiro e setembro deste ano, 782 pessoas morreram em acidentes de trânsito na capital, contra 770 no mesmo período de 2025, uma alta de 1,5%. Quase metade das vítimas deste ano estava em motocicletas: 48% do total. No período, mais de 370 motociclistas morreram, enquanto quase 300 pessoas foram vítimas de atropelamentos, segundo dados do Infosiga, sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A alta das mortes de motociclistas é uma tendência que vem se acentuando nos últimos anos. De 2017 para cá, o número de óbitos desse grupo cresceu 74%, apesar da criação da Faixa Azul, em 2022, iniciativa voltada à circulação de motos. Para especialistas em mobilidade urbana, o aumento da frota de motocicletas ajuda a explicar o cenário, mas não é o único fator. As condições das vias, o comportamento dos condutores e a fiscalização também influenciam a segurança no trânsito. “Eles não têm uma carcaça metálica em volta do corpo e conseguem desenvolver uma velocidade muito alta. Essa combinação de velocidade alta com essa falta de proteção sempre vai deixá-los mais vulneráveis”, afirma Ana Carolina Nunes, especialista em mobilidade urbana. Imprudência e fiscalização O aumento da frota de motocicletas na capital acompanha a tendência de crescimento das mortes. Em 2026, a cidade já tinha cerca de 1,17 milhão de motos em circulação. No entanto, especialistas destacam que a quantidade de veículos não explica sozinha o avanço dos óbitos. Infrações cometidas pelos condutores, como avançar o sinal vermelho e circular em corredores de ônibus ou ciclovias, também representam riscos. A especialista Ana Carolina Nunes afirma que medidas de infraestrutura, como a Faixa Azul, precisam ser acompanhadas de fiscalização para produzir resultados na segurança viária. “Mesmo ações de estrutura, como a própria Faixa Azul, elas não fazem diferença se não tiver essa fiscalização junto”, diz. Ela também aponta que a velocidade dos veículos pode influenciar o comportamento de outros motociclistas. “Não dá para esperar que eles vão seguir a velocidade que está regulamentada sem essa fiscalização. Até porque, muitas vezes, o fato de um estar acelerando faz com que outro se sinta compelido a acelerar também, porque é um corredor”, afirma. O diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, também relaciona a imprudência à falta de punição. “A imprudência é vinculada à impunidade”, afirma. Para ele, os radares são importantes para coibir infrações, mas precisam ser capazes de detectar motocicletas. Quintella avalia que o problema é crônico e exige medidas para reduzir as mortes. Menos radares que no Rio Apesar de São Paulo ter o dobro de ruas e avenidas do Rio de Janeiro, a capital paulista tem menos radares de fiscalização: são 879 em São Paulo, contra 1.042 no Rio. Enquanto as mortes de motociclistas aumentaram, o número de equipamentos de fiscalização variou pouco na última década e chegou a cair entre 2017 e 2026. Quintella defende que a fiscalização seja eficaz para combater as infrações e reduzir os riscos no trânsito. “Os radares são fundamentais, mas têm que ser eficazes. Eles têm que realmente detectar a moto”, afirma. O que diz a prefeitura A Prefeitura de São Paulo afirmou que trabalha continuamente para ampliar a segurança no trânsito, com campanhas permanentes de conscientização. Sobre a Faixa Azul, a administração municipal disse que a iniciativa reduziu em 26% a gravidade dos acidentes com motocicletas. Em relação aos radares, a prefeitura informou que uma equipe técnica avalia a necessidade de instalação dos equipamentos. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também realiza diariamente ações de fiscalização com equipes nas ruas. Trânsito de veículos é registrado na região do Ibirapuera, no Corredor Norte-Sul, em São Paulo, em 16/10 ANGÉLICA ALVES/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO